“Plano da Prefeitura de alargamento das vias é um banco imobiliário”

Projeto de Lei do Executivo para implantação de corredores de ônibus causará centenas de desapropriações e áreas não usadas nas obras serão repassadas para a iniciativa privada

aud-public-transporte_0350O vereador Aurélio Nomura foi bastante aplaudido ao classificar de “banco imobiliário” o plano da Prefeitura de alargar 66 vias para a construção de 19 corredores de ônibus conforme o Projeto de Lei do Executivo nº 17/2014. A crítica foi manifestada na audiência pública realizada hoje (19/02) pela manhã na Câmara Municipal pela Comissão de Justiça, acompanhada por um grande público formado por moradores e representantes de entidades, que serão afetados pelas obras.

Devido às proporções do impacto que causará no perfil urbano da cidade, com centenas de desapropriações e o surgimento de novas grandes avenidas, o vereador Aurélio Nomura manifestou a necessidade de se aprofundar os debates sobre a proposta do Executivo e até rever o projeto.

“Além do alargamento de 39 avenidas e 27 ruas, está prevista a construção de oito terminais. Para essas obras, de acordo com a notícia no Blog do Estadão, do jornalista Diego Zanchetta ‘a Prefeitura espera obter recursos para a construção dos corredores repassando para a iniciativa privada parte dos terrenos que serão desapropriados para a construção dos corredores’. Isso equivale a dizer que o espaço não utilizado cairá nas mãos das incorporadoras imobiliárias. Com isso, a Prefeitura vai arrumar uma fonte de recursos extra e adensar as áreas em torno desses corredores – ou seja, vai criar um verdadeiro banco imobiliário”, apontou o vereador Aurélio Nomura.

O projeto da prefeitura objetiva o alargamento de diversas vias da cidade, de modo a adequá-las aos padrões exigidos para implantação dos corredores exclusivos de ônibus e de estruturas necessárias, como a construção de novos terminais. O texto propõe mudar o alinhamento de algumas das avenidas mais importantes da cidade, como a 23 de Maio, Bandeirantes, Radial Leste e Celso Garcia e Nossa Senhora do Sabará. Segundo a justificativa do PL, “a Secretaria Municipal de Transportes desenvolveu o programa de intervenções, no qual ganhou especial relevo a implantação dos mencionados corredores, uma vez que a medida propicia o aumento de velocidade dos ônibus”.

As obras, no entanto, não agradam os moradores das regiões. Na audiência pública, munícipes que serão afetados com a implantação do Corredor Sabará manifestaram indignação com o projeto da Prefeitura, que vai causar a desapropriação de 484 imóveis. “Ao invés disso, poderia-se muito bem alargar o Corredor SPTrans – Sul (também projetado), na avenida das Nações Unidas e que não causaria impacto nas construções já existentes”, observaram.  “Em toda extensão da Av. Nossa Sra. do Sabará existem vários comércios, alguns instalados há mais de 30 anos, que serão desalojados, causando desemprego e prejudicando a atividade e o rendimento de centenas de famílias”, reclamaram. A mesma situação afetará imóveis ao longo de diversos outras vias que serão alargadas, como a Estrada do Campo Limpo, Estrada do M’Boi Mirim, Estrada de Itapecerica e Estrada do Alvarenga, entre outros.

“O projeto do Corredor Celso Garcia é inconcebível. Prevê alargamento da Avenida São Miguel, da Rua Abaitinga e da Avenida Marechal Tito e vai cortar ao meio o centro comercial do Itaim”, criticou Edson Coqueiro Filho, da Associação Empresarial do Itaim e Conselheiro Participativo do Itaim-Curuçá.

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